Autor: John Green
Editora: Intrinseca
Ano: 2012
Páginas: 288
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Sobre Erros...
Esse livro me foi recomendado quase de sacanagem. Não por causa da qualidade do mesmo mas porque a pessoa que o recomendou já tinha-o indicado e a minha reação à sinopse improvisada não só foi negativa como um pouco estoica. Pouco tempo depois eu peço uma indicação de leitura a essa mesma pessoa e ela me indica esse livro novamente. Como minha memória não é das melhores eu não reconheço o título, não leio sinopse nenhuma, acabo indo atrás, adquirindo e lendo em uma noite e meia. As vezes é muito bom estar errado.
A protagonista dessa história é Hazel Grace, menina de mente afiada cujo intelecto representa uma qualidade e um problema em sua vida. Por um lado, ela é adepta da leitura constante, o que a faz ser muito sagaz, perceptiva e irônica. Ela consegue ver o mundo através de uma perspectiva realista (quiça pessimista) sem nunca perder o bom humor e sem deixar-se levar pelos estapafúrdios conceitos absolutos que alimentamos no nosso dia-a-dia. Por outro, ela é reclusa, demasiadamente focada em um assunto em particular e desnecessariamente críticas daqueles ao seu redor. Ah, ela tem câncer terminal no pulmão.
Pois é, interessante não? Normalmente a sinopse vai tentar lhe vender a historia do câncer primeiro e não lhe engano, ele é uma parte muito importante no livro. Mas ele não é O livro e, diferentemente do que a narradora vender no começo, ele não é o ponto central dessa historia. Apesar dele ser A historia da historia? U' feel me, bro? O livro é, como todo bom romance, sobre as personagens, como elas interagem entre si, como o mundo ao redor é construído e como as personalidades vão se adaptando a novas situações, pessoas e lugares. Hazel Grace tem câncer mas ela não é o câncer.
Dito isso, esse livro é sobre câncer. Doh'! Mas é mais do que isso. Sinto que estou me repetindo por insegurança no meu argumento. Oh, well...
Sobre Detalhes...
A narrativa se mistura a discursos, "falas adolescentes" e avaliações filosóficas sobre o que diretamente atinge as personagens. Isso, as vezes, cria um contraste um pouco estranho entre a personalidade adolescente sendo retratada e o nível de intelectualidade em retóricas notadamente planejadas e bem articulas. Quando o autor se vê sendo demasiadamente adulto na caracterização de uma conversa adolescente (como quando "eles" filosofam sobre o significado metafísico de uma metáfora) ele coloca um "tipo" no meio da frase ou insere uma imaturidade de tratamento entre os interlocutores (mas o "tipo" é a palavra controle preferida dele).
O que torna isso um pequeno detalhe é a ótima caracterização das personagens. Você compra, facilmente, a ideia que esses personagens teriam essas discussões porque o mundo e as iterações entre os indivíduos reforçam sempre donde elas (as discussões) nascem e mais ou menos aonde elas irão acabar. Se os adolescentes fossem um receptáculo de sabedoria o leitor ficaria fadigado com a inveracidade das ações e dos diálogos mas o autor mantem um balanço razoável entre o conhecimento que é parte da personalidade de cada um e os ideais que ele insere usando suas personagens. Um balanço que alguns escritores (bons escritores, até) parecem nunca atingirem (ou não fazerem o mínimo esforço para atingir) tornando as suas personagens meros evangelizadores regurgitando uma teoria ou um ponto de vista do próprio autor (estou olhando para vocês livros espíritas e Paulo Coelho).
Sobre Infinitos...
Como um todo a historia é interessantíssima. Não só porque, no meu limitado conhecimento literário, foi imprevisível em alguns momentos como também pela ressonância sentimental que seus temas possuem. Agora que planejam um filme eu consigo pensar em N maneiras de estragarem uma narrativa tocante, simples e poderosa para aqueles que se dispuserem a embarcar em um mundo íntimo e cruel mas nunca derrotista. Nunca pequeno de coração.
Uma leitura agradável e uma historia cheia de sentimentos. Um infinito maior que muitos outros por ai. Recomendado.

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