Errático e desconsertado La Fleur
passa pelos quartos contíguos ao seu como um furacão. Seu corpo fica levemente
dormente enquanto seu cérebro percorre todos os pensamentos que já possuiu e
mais alguma coisa. Os movimentos são quase que involuntários embora
estranhamente precisos. Seu ponto de chegada, o quarto de Maria Lúcia, agora de
frente não só revolucionava seu estado, mas trazia consigo a inquietação que
apenas os corações apaixonados experimentam.
"Será o efeito da
droga?" - Perguntou a si mesmo, em voz alta, no corredor do hotel.
Bateu na porta e o tempo parou
por alguns anos. Alguns longos e tediosos anos. Maria Lúcia atendeu.
Le Fleur olhou-a com admiração
digna. A cacofonia de seu olhar não demorou a chegar a Maria Lúcia que com um
sorriso meio escondido questionou:
"Drogado? Suas pupilas vão contratar
um padre para saírem do armário a qualquer minuto".
O comentário, obviamente, passou
como se nada fosse por Le Fleur que agora observava o roupão de cetim, as
curvas belamente delineadas e a boca sedosa que se apresentava. Pensou em
desistir na mesma hora que a agarrou pelo braço e beijou-a sem pudor. Pensou em
voltar para o quarto e tomar um banho frio na mesma hora que rasgou o belo
roupão e no mesmo movimento tirou sua camisa. Maria Lúcia, agora ofegante e com
um olhar decidido o jogou na cama antes que o mesmo conseguisse tropeçar no seu
próprio ímpeto. Ela terminou de tirar o próprio roupão daquele jeito sensual
que só uma mulher consegue. Le Fleur, agora deitado de costas e observando o
show olhava intensamente para os olhos de sua paixão. Lá estava ela, desnuda de
corpo inteiro, sem pudor a esconder e Le Fleur só conseguia observar seus
olhos. O misto de paixão, lascividade e amor que irradiavam deles tinha um
efeito sedativo no cérebro do aventureiro. Quando ela ia deitar ele se
levantou. Puxou-a para perto e olhando nos seus olhos disse a primeira coisa
que lhe veio à mente:
"Você é minha."
Maria em gozo soltou um suspiro e
revirou os olhos em um só movimento de puro prazer. Le Fleur, sinceramente, não
irá lembrar-se de nada durante a manhã, mas Maria nunca irá esquecer os olhos
cheios de lagrimas que transmitiam a maior verdade já dita por alguém durante
toda a sua vida. Ela sabia que ele a desejava mais do que tudo, por isso quando ele fugiu de fininho durante a
manhã ela continuou a dormir. A paixão encontrara um alvo inconstante e teimoso
porem, no fim, acabou ganhando a queda de braço. Le Fleur teria a maior dor de
cabeça de sua vida. Maria sonhou com a mesma noite durante anos.
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