terça-feira, 9 de abril de 2013

Don't You Evah


Errático e desconsertado La Fleur passa pelos quartos contíguos ao seu como um furacão. Seu corpo fica levemente dormente enquanto seu cérebro percorre todos os pensamentos que já possuiu e mais alguma coisa. Os movimentos são quase que involuntários embora estranhamente precisos. Seu ponto de chegada, o quarto de Maria Lúcia, agora de frente não só revolucionava seu estado, mas trazia consigo a inquietação que apenas os corações apaixonados experimentam.

"Será o efeito da droga?" - Perguntou a si mesmo, em voz alta, no corredor do hotel.

Bateu na porta e o tempo parou por alguns anos. Alguns longos e tediosos anos. Maria Lúcia atendeu.
Le Fleur olhou-a com admiração digna. A cacofonia de seu olhar não demorou a chegar a Maria Lúcia que com um sorriso meio escondido questionou:

"Drogado? Suas pupilas vão contratar um padre para saírem do armário a qualquer minuto".

O comentário, obviamente, passou como se nada fosse por Le Fleur que agora observava o roupão de cetim, as curvas belamente delineadas e a boca sedosa que se apresentava. Pensou em desistir na mesma hora que a agarrou pelo braço e beijou-a sem pudor. Pensou em voltar para o quarto e tomar um banho frio na mesma hora que rasgou o belo roupão e no mesmo movimento tirou sua camisa. Maria Lúcia, agora ofegante e com um olhar decidido o jogou na cama antes que o mesmo conseguisse tropeçar no seu próprio ímpeto. Ela terminou de tirar o próprio roupão daquele jeito sensual que só uma mulher consegue. Le Fleur, agora deitado de costas e observando o show olhava intensamente para os olhos de sua paixão. Lá estava ela, desnuda de corpo inteiro, sem pudor a esconder e Le Fleur só conseguia observar seus olhos. O misto de paixão, lascividade e amor que irradiavam deles tinha um efeito sedativo no cérebro do aventureiro. Quando ela ia deitar ele se levantou. Puxou-a para perto e olhando nos seus olhos disse a primeira coisa que lhe veio à mente:

"Você é minha."

Maria em gozo soltou um suspiro e revirou os olhos em um só movimento de puro prazer. Le Fleur, sinceramente, não irá lembrar-se de nada durante a manhã, mas Maria nunca irá esquecer os olhos cheios de lagrimas que transmitiam a maior verdade já dita por alguém durante toda a sua vida. Ela sabia que ele a desejava mais do que tudo,  por isso quando ele fugiu de fininho durante a manhã ela continuou a dormir. A paixão encontrara um alvo inconstante e teimoso porem, no fim, acabou ganhando a queda de braço. Le Fleur teria a maior dor de cabeça de sua vida. Maria sonhou com a mesma noite durante anos.